Mais de 300 pessoas. A apresentação da Cia. do Lavrado, ontem, na Praça das Águas, em Boa Vista, Roraima, foi muito bacana. Chegamos na praça de mansinho, duas horas antes e procuramos o melhor lugar para nos apresentarmos. Melhor iluminação, poucos eventos, e maior concentração de público. A Praça das Águas está muito disputada. Hip-hop, evangélicos, carros de som, tem de tudo. Encontramos um lugar super aconchegante, próximo da praça de alimentação e que nunca estivemos por ali. Um lugar pequeno, que permitiu deixar nosso público mais aconchegado, mais próximos de nós. Conseguimos formar uma pequena roda. Muita gente. Foi muito bom! O espetáculo rolou da melhor maneira possível, sabemos que precisamos trabalhar mais algumas cenas, que ficaram fora de ritmo, mas o público, na sua maioria leigo destes detalhes teatrais, adorou o espetáculo apresentado. O religioso chapéu nos rendeu R$ 50,00, dez a mais do que na estréia. E detonamos tudo em pizza. É isso, no próximo fim de semana estaremos em Pacaraima, na Mostra de Artes Universitária - YAMIX, na fronteira com a Venezuela. Estão todos convidados.
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Escrito por Administrator   
Sex, 03 de Abril de 2009 09:56

TEATRO VILA VELHA FOTO: MARCELO PEREZ

Nos dias 23, 24 e 25 de Março aconteceu em Salvador / BA, o V Encontro Nacional do Redemoinho – Movimento Brasileiro de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral. Estiveram presentes 45 estados dafederação, entre grupos integrantes do movimento, grupos convidados e outros movimentos teatrais. O encontro reuniu mais de 80 artistas de diversas partes do país e teve como um dos objetivos a estrutuação do movimento a partir deste V Encontro.

No primeiro dia do encontro foi feita a apresentação dos grupos
integrantes do movimento, um breve histórico do mesmo desde a sua
criação em 2004, inclusive com a leitura do manifesto e cartas tiradas
nos outros encontros. O funcionamento do movimento também foi
explicado neste primeiro dia, a atuação do Conselho Nacional e em
seguida foi realizada uma explanção sobre o Prêmio de Teatro
Brasileiro, Lei Geral do Teatro e Lei Rouanet, que teve mais destaque
neste encontro.
No segundo dia houve espaço para que os outros movimentos teatrais
pudessem se manifestar e também ouvimos o relato das regionais
existentes no movimento. A Rede Brasileira de Teatro de Rua se colocou
neste momento, mas apenas realizei um relato do que havia acontecido
no último encontro em São Paulo e que nos colocamos à disposição para
trabalharmos em parceria, no que diz respeito a busca de melhores
condições de trabalho para os artistas de rua e grupos teatrais de
todo o país (foco no MINC e sua política cultural).
Foram formados grupos de trabalho com o objetivo de pensarmos juntos o
Redemoinho e na minha opinião esse foi o momento mais produtivo deste
encontro e que infelizmente não foi aproveitado, pois não conseguimos
explicitar as nossas idéias e questionamentos.
No terceiro dia tivemos a presença de Márcio Meireles (Secretário de
Cultura do estado da Bahia), Ney Wendel (Representante da Fundação
Cultural do estado da Bahia), Carlos Carvalho (Diretor de Políticas
Culturais da FUNDARPE), marcelo Bones ( Diretor de Artes Cênicas –
FUNARTE) e o representante do Ministério da Cultura, pois o ministro
Juca Ferreira não pode comparecer ao encontro.
Cada integrante da mesa fez a sua prestação de contas e em seguida foi
lida pelo Redemoinho a carta tirada no dia anterior, sobre o conteúdo
do Projeto de Lei que institui o Porgrama de Fomento e Incentivo à
Cultura – PROFIC, apresentada pelo governo dias antes. Foi uma pauta
amplamente discutida dentro do movimento neste encontro, no qual o
Redemoinho se colocava à disposição para discutir junto ao governo o
Fundo Nacional de Cultura - FNC, mas que de forma alguma aprovava os
incentivos aos projetos culturais via renúncia fiscal, portanto não
queriam nem discutir o assunto. O representante do governo avaliou a
postura do movimento muito agressiva e que o projeto de lei foi aberto
à sociedade para possíveis discussões e que o movimento com aquele tom
contido na carta não dava nenhuma possibilidade de discussão junto ao
governo.
Bom, isso foi o aconteceu até aí. O que houve depois, como alguns já
deve estar sabendo, foi o fim do Movimento Redemoinho.
Eu estive representando a RBTR e como não conheço a história deste
movimento, até mesmo porque desde a sua criação em 2004, nunca nenhum
estado da região norte foi convidado para participar, não fico nem
muito a vontade para entrar em mais detalhes. O que percebi e já
interessado na rede a qual faço parte foi a divergência de opiniões
políticas ao extremo. A falta do diálogo. Ficou claro também que a
ausência de uma metodologia, de como conduzir os dias de trabalho
também não proporcionou que os integrantes pudessem pensar juntos e
principalmente ouvir os outros participantes. Percebi também um
movimento muito fragilizado e que ao invés de priorizar a busca do
pensamento do movimento, que não tinha nem diretrizes claras, pelo
menos não ficou clara para os demais participantes, esteve o tempo
todo mais preocupado em mostrar sua posição com relação ao MINC, mesmo
os próprios integrantes percebendo tal fragilidade. Me pareceu que
esta discussão sobre a posição política do Redemoinho já vem de outros
encontros e que infelizmente chegou ao fim na Bahia.
Fiquei muito decepcionado com o que vi em Salvador, mas também não é
muito diferente com o que acontece no meu estado e nos demais estados
do País. Talvez por isso a decepção. Mais uma vez nos mostramos fracos
diante, não só do governo, mas de nós mesmos.
Enfim, se eu falar mais acaba virando opinião pessoal e não caberia
aqui a minha avaliação do que eu vi em apenas três dias, pois como
disse antes, eu desconhecia  o que estava acontecendo a mais tempo. O
que gostaria de deixar claro é que a RBTR é um movimento muito
semelhante ao Redemoinho e precisamos ficar atentos para que
divergências de opiniões políticas não seja o estopim para o fim de
mais um movimento. Precisamos aprender a conviver com as nossas
divergências, o que já é tarefa difícil demais. Precisamos definir com
clareza o que  a RBTR deseja, para que mais tarde não aconteça o
mesmo. Precisamos pensarmos juntos este movimento. E é isso. Os
companheiros que estiveram presentes e acharem necessário acrescentar
mais alguma informação, por favor, fiquem a vontade.

 

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